Autonomia da mulher contemporânea na vida pessoal e profissional

Emponderamento Feminino – Autonomia da Mulher Contemporânea

Eu poderia enumerar inúmeras possibilidades e desafios do ser mulher hoje, mas decidi me ater ao que considero o maior deles. Maior pelo tamanho do desafio e pela profundidade da transformação que ele pode gerar quando assumido por cada mulher. A meu ver, o nosso maior desafio é diminuir a força das vozes que estão fora de nós pra conseguirmos ouvir e seguir a nossa própria voz. Reconectar com tudo aquilo que nos faz ser mulher: tanto com nossa sensibilidade, bem como também com nossa força.

Desde a nossa mais tenra idade, estamos habituadas a ouvir em todos os lugares e de várias pessoas, próximas e distantes, qual seria o jeito ideal ou mais adequado de se portar enquanto mulher. A maioria dessas imposições sociais se referem à mulher como um ser frágil, incapaz de se cuidar, que precisa ser protegida.  À medida que nos tornamos jovens adultas, soma-se a isso outras características e exigências. A mulher moderna ideal também deve ser multitarefas: deve trabalhar, cuidar bem da casa, da sua aparência, ter e cuidar dos filhos, ser bem-sucedida pessoal e profissionalmente, pagar suas próprias contas, saber investir e também deve se divertir.

Porém, a despeito de toda a fragilidade e passividade que insistem em relacionar à figura da mulher, se observarmos em nossa volta veremos mulheres ocupando todos as profissões e funções existentes no mundo e também chefiando quase metade dos lares brasileiros hoje. Ou seja, de um lado temos tudo o que dizem que a mulher não é capaz de fazer, de outro, temos o que as mulheres sabem fazer e fazem, muitas vezes por necessidade e apesar de todos os medos e inseguranças que lhe foram impostos. Esse antagonismo de exigências, sob a qual todas as mulheres são submetidas ao longo da vida, pode trazer consequências severas para sua construção psíquica, gerando culpa, sofrimento e diversas doenças físicas e emocionais. As exigências da vida moderna são sobre-humanas e é simplesmente impossível alcançar essa imagem de mulher que nos fizeram acreditar ser a ideal. Apesar disso, toda essa mentalidade influencia diretamente na maneira como nós nos percebemos e nos posicionamos diante do mundo.  O que é ser mulher pra você?

Nós mulheres, enquanto seres humanos, carregamos a força do feminino e do masculino dentro de nós. Onde o feminino é tudo aquilo que diz da nossa capacidade sensível: cuidado, acolhimento, empatia, compaixão, passividade. E o masculino se refere à nossa capacidade de ação: proatividade, agressividade, movimento, força, perseverança, foco. Para ter autonomia em nossa própria existência, nós precisamos acolher e aceitar que nós somos constituídas por essas duas forças e permitir que elas se comuniquem, se conectem, se complementem. E não o contrário, que é o que fazemos quando negamos uma dessas categorias.

Nós mulheres, não somos apenas seres frágeis. Somos seres sensíveis e vulneráveis sim, mas isso não é um problema, aliás, é exatamente aí que está nossa força. Na sensibilidade de perceber e acolher a vida e de compreendê-la como um ciclo, que hora demanda calma, ora mais perseverança. Nosso próprio corpo está aí pra nos mostrar isso. Nosso maior desafio, a meu ver, que sou mulher, tenho amigas e colegas mulheres e, além disso, tenho a oportunidade de lecionar e atender mulheres, é nos conectarmos com nós mesmas, com nossa essência. Assumir e não negar quem somos. Carregamos em nós a força do feminino e do masculino, temos a capacidade de acolher e cuidar, mas também temos a capacidade de analisar e agir. A gente não contribui com o mundo e nem alcança a felicidade negando o que somos, mas ao contrário, nossa potencialidade aparece no momento que assumimos o risco de ser nós mesmas. E acredite… esse risco vale a pena!

Conversem mais entre vocês, compartilhem. E o façam sobretudo com ouvidos e olhares mais carinhosos, ajudando umas às outras a serem autênticas, mesmo que isso te assuste, que soe ameaçador. Questione as regras, questione os dogmas. Ouça mais seu coração e sua intuição, e o coração das mulheres ao seu lado. Tenha compaixão por todas aquelas que ainda não descobriram seu valor e que estão tentando se encaixar nesse mundo e seguir todas as regras impossíveis de serem alcançadas, mas constantemente recolocadas e que geram culpa, angústia, doenças psíquicas.

Vamos fazer desse mundo um lugar melhor para todos nós, mulheres e homens. Assumindo quem somos, resistindo a imposições e criando novas formas de ser e viver! Sabe aquela intuição, aquele ímpeto criativo que você sente? Abaixe o volume da voz do mundo externo e ouça essa voz, a SUA voz!

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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